O que é a síndrome do viajante ou síndrome da classe econômica?
Síndrome do viajante, também chamada de síndrome da classe econômica, é o nome popular da trombose venosa profunda (TVP) associada a viagens. Pode afetar qualquer pessoa que viaje sentada por longos períodos. É normalmente associada a voos, por serem mais longos e com pouco espaço para movimentar-se, mas também ocorre em viagens de automóvel, trem e ônibus.
A redução da circulação do sangue, principalmente nas pernas, favorece a formação de coágulos. Esse coágulo pode obstruir a passagem de sangue pela veia, ocasionando a trombose venosa profunda.
Uma das manifestações da trombose venosa que mais trazem risco à vida é a embolia pulmonar. Ela ocorre quando um trombo, geralmente formado nas veias dos membros inferiores, se desprende e, ao chegar ao pulmão, interrompe a circulação de sangue.
Quais são os sintomas da síndrome do viajante?
Os sintomas são os da trombose venosa profunda e podem surgir em questão de horas, dias ou até semanas após a viagem — não necessariamente durante o trajeto. Quando aparecem, costumam afetar apenas uma das pernas.
Os sinais mais comuns são:
- Inchaço em uma das pernas, principalmente na panturrilha, no tornozelo ou no pé;
- Dor ou sensibilidade na panturrilha, que pode piorar ao caminhar ou ficar em pé;
- Sensação de calor na região afetada;
- Vermelhidão ou alteração na cor da pele;
- Endurecimento ou rigidez da musculatura da panturrilha;
- Veias mais aparentes ou sensação de peso na perna.
Vale saber que a TVP também pode ser silenciosa, sem sintomas evidentes. E que esses mesmos sinais podem ter outras causas, como lesão muscular, inflamação ou problemas articulares. Por isso, nenhum deles confirma o diagnóstico sozinho — a avaliação médica é indispensável.
Sinais de emergência: quando procurar atendimento imediato
Alguns sintomas podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento imediato:
- Falta de ar repentina;
- Dor no peito, especialmente ao respirar fundo;
- Tosse com sangue;
- Batimentos cardíacos acelerados;
- Tontura, desmaio ou fraqueza intensa.
Se você fez uma viagem longa recentemente e apresenta qualquer um desses sinais, procure um serviço de emergência — não espere para ver se melhora.
Para o quadro completo da condição, veja: Trombose venosa profunda: o que é, sintomas e fatores de risco.
Qual o risco?
O risco de embolia pulmonar grave imediatamente após um voo aumenta com a duração da viagem. Varia entre zero em voos com duração inferior a três horas e 4,8 eventos por milhão em viagens com duração acima de 12 horas. (Nik Neves/SAÚDE é Vital)
Ou seja: para a maioria das pessoas o risco absoluto é baixo. Ele cresce quando há fatores de risco associados, e é por isso que vale conhecê-los.
Quais os principais fatores de risco?
- Ficar sentado por períodos superiores a quatro horas em assentos apertados que comprimem os membros inferiores, especialmente a região da panturrilha;
- Desidratação por baixa ingestão de líquidos, excesso de álcool ou baixa umidade da cabine — durante o voo, o nível de umidade chega a menos de 20%;
- Idade acima de 40 anos;
- Altura superior a 1,80 m;
- Veias varicosas nos membros inferiores;
- Pessoas cardiopatas ou que passaram recentemente por cirurgia;
- Antecedentes de trombose nos membros inferiores ou embolia pulmonar;
- Fraturas recentes nos membros inferiores;
- Uso de contraceptivos orais.
Como prevenir?
- Movimente-se: levante e caminhe ao menos cinco minutos a cada duas horas. Caso não seja possível, simule uma caminhada com movimentos de pés e tornozelos. Isso ajuda o sangue a circular e reduz o risco de trombose;
- Evite a desidratação: ela provoca constrição dos vasos sanguíneos e hemoconcentração. Evite bebidas alcoólicas e mantenha ingestão adequada de líquidos;
- Use meias de compressão: elas auxiliam o retorno venoso nas pernas, reduzindo a estase durante o período sentado.
Quais meias de compressão devo usar?
Para reduzir os efeitos da síndrome do viajante, é possível usar meias de suave compressão (15-20 mmHg) ou meias de compressão para viagem, que em geral não necessitam de prescrição médica.
As meias de 20-30 mmHg e 30-40 mmHg devem ser utilizadas de acordo com orientação médica.
Veja todas as opções na categoria de meia de compressão.
Dicas práticas para a viagem
- Vista a meia antes de sair de casa, com as pernas ainda descansadas;
- Confira as medidas da perna antes de comprar — veja como medir meia de compressão;
- Evite dobrar a borda da meia durante o uso;
- Se houver histórico de trombose, cirurgia recente ou doença vascular, converse com o médico antes da viagem.
Leia também: Qual a melhor meia de compressão para viagem de avião.
Importante: este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dor, inchaço em apenas uma perna, falta de ar ou dor no peito após uma viagem, procure atendimento imediatamente.
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